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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Mostra de arte

Do ponto "cruz " ao  "g"A arte deve quebrar, subverter uma ordem, fazer olhar o “natural” com outros olhos, “chocar” pela apresentação crua de um óbvio não percebido. Deve estar livre das amarras que mantém servil a uma ordem pré-determinada, contudo, guarda também as marcas de seu tempo.A artista considera as rupturas culturais provocadas pelas mudanças subjetivas das mulheres. A arte contemporânea de Marluce são usadas como expressão desse feminino.
Contudo,existem particularidades e temáticas próprias das mulheres representada em duas épocas nessa mostra de arte "do ponto cruz ao g". O feminino é uma trama, vai se construindo, é feito e desfeito, recortado, colado. Forma um painel que permite uma multiplicidade de movimentos, leituras e versões.
Este feminino se interroga permanentemente, por isso as mulheres com suas dores, paixões e pesares e mudança no comportamento sexual têm sido objeto de nossos estudos e encantamento.
Neste trabalho Marluce Moura através da arte contemporânea , pensar a mulher nossa de cada dia. Quadros que abordam o que escutamos, observamos e vivemos. Para sermos tocados pela emoção, onde o intelecto vacila e fica aquém não é uma interpretação da obra para confirmar a psicanálise! Mas, para nos emocionar nesta mostra, com este olhar artístico que enuncia os movimentos da alma feminina.
Para Marluce esses pontos representados nesta mostra "cruz e g"

tem relação com a capacidade da mulher de modificar a realidade de acordo com os seus desejos. Essa passagem de um polo a outro é uma saída do conflito, semelhante ao sintoma, diferindo deste pela ilusão que constrói, tendo como aliada a fantasia. O prazer oriundo dessa fruição nos alivia se conseguirmos nos identificar. Dessa forma, desabafamos nossos impulsos e sentidos na ânsia de liberdade afetiva
A arte inúmeras vezes diz o que não conseguimos dizer pela razão. Para muitos artes,  não é coisa séria. Marluce concorda: “As pessoas vão pensar que sou louca porque a arte para algumas coisas ou pessoas não comunica, arte quando o papo é sério, impossibilita, não convém parece impropério”. (2010)
A exposição encerra provocando uma  reflexão 
a respeito da evolução sexual feminina, indagar de sua própria experiência ou consultar os poetas. Na discursividade do feminino, Marluce aponta uma estética transgressora, de desconstrução na sua arte que pretendem anunciar a verdade sobre a mulher. Situando-se, assim, para além da verdade sobre o feminino enunciada seja pelo discurso filosófico, científico, seja pelo psicanalítico ou pelo convivio com as mulheres que á dispertou para a tematica. Segundo à artista, não é para perguntarmos ou ficar respondendo quem somos, mas negar o que dizem que somos. Ouçamos Elisa Lucinda poetizar sobre o enigmático da mulher:
Há de ser cautela com essa gente que menstrua... imagine uma cachoeira às avessas, cada ato que faz, o corpo confessa. Às vezes parece erva, parece hera, cuidado com essa gente que gera, essa gente que se metamorfoseia metade legível, metade sereia, barriga cresce explode humanidades... cuidado com cada letra que manda para ela, transforma fato em elemento e tudo refoga, frita... cuidado moço, por você ter uma cobra entre as pernas cai na contradição de ser displicente diante da própria serpente ela é cobra de avental, não despreze a meditação doméstica, é da poeira do cotidiano que a mulher extrai filosofia. (Aviso da lua que menstrua)
Muitas vezes o dia-a-dia é implacável na apresentação de suas faltas e dificuldades. Não é possível disfarçar, mas faz-se mister resolver. Este ofício de ser mulher requer cuidar de tudo que nossa mulherice exige. Estamos aprendendo a reconhecer que é assim... Além do óbvio que se fala desse gênero: mãe e parceira... somos tantas que às vezes, rimos sós diante do matreiro das diversidades. O nosso excesso espalhafatoso, barulhento, simples, silenciosos, escorregadio, gentil, jeito de ser possibilita o encanto a nossa volta, apostando sempre no que vira. Tantas coisas a se fazer. São vidas dentro de vida vivida porque:
A vida não tem ensaio, mas tem novas-chances. Viva a birelação externa, a possibilidade, o esmeril dos dissabores. Abaixo o estéril arrependimento a aturação inútil dos rancores. Um brinde ao que está sempre nas nossas mãos. A vida inédita pela frente e a virgindade dos dias que virão. (Libação, 1999)

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Feirense, graduada em Administração, e artista plástica  especialista no desenho retrato com uma abordagem realista e sóbria, que utiliza exclusivamente a técnica do pastel, iniciou nas artes ainda na infância tem como foco fundamental a expressão dos rostos, seus temperamentos e a psicologia da expressão, a tradução de um sentimento, de uma emoção fugidia e instantânea. Começou a expor em 1996 após concluir o curso no Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), é uma das fundadoras do Grupo de Arte contemporânea de Feira de Santana, pesquisadora da arte rupestre com exposição desse tema em 2007, e amante da arte contemporânea, na qual aborda temas polêmicos.
"Só me dirijo às pessoas capazes de me entender, e essas poderão ler-me sem
perigo."Marquês de sade

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